Em tempos em que a política pega fogo na cidade, o que realmente vira assunto antes do pleito, são as disputas ferrenhas dentro dos próprios grupos e não quem vai ganhar a eleição...
No PSDB, de um lado tem o Major Rubin, o candidato que praticamente venceu a última eleição na cidade, perdendo terreno em Aparecida de São Manuel, o que acabou fazendo a diferença e decidindo o resultado.
Major tem, e eu sei disso, apoio forte dentro do partido. O deputado Pedro Tobias, pelo que ouço falar e até pelo comportamento, é Major desde criancinha. O governador Geraldo Alckmin parece simpatizar-se mais com o Major do que com o Virsão, animado talvez por sondagens que dão ampla vantagem ao Rubin e tambem pelos resultados de 2008.
Major tem ainda mais uma vantagem: COMUNICAÇÃO! Chacrinha, o velho guerreiro, afirmava nas tardes de sábado da Globo: "quem não se comunica, se trumbica!". A máxima vale muito numa disputra eleitoral.
Virsão não curte muito esse lance de se comunicar. Não dá entrevistas, é acanhado, é mais na dele... enquanto que Major é homem de rádio, de comunicação, de dar opinião.
Num palanque, quando a coisa começa a ferver, qual dos dois teria vantagens?
Numa disputa ferrenha com Marcos Monti e Flavinho, que parecem ser os outros dois candidatos, num debate, ou mesmo num programa eleitoral, é preciso ter boa comunicação.
A juventude, principalmente, está atenta às propostas dos candidatos e seus projetos para tirar a cidade do marasmo dos últimos anos. Como um candidato poderá tirar vantagens de suas propostas se não souber se comunicar com a massa?
Outra vantagem clara de Major Rubin sobre seu companheiro de partido: com a imagem de bagunça, passada à população nos últimos 11 anos, principalmente pelas contas rejeitadas de Flavinho e o escândalo das notas frias, Major, ex-militar, transmite um perfil de comando, de ordem, de autoridade pra botar ordem na casa.
E o que favorece Virsão? Primeiro sua humildade. Não que Major não o seja, tendo inclusive em sua infância, trabalhado como bóia fria. Mas Virsão, até pela timidez, parece transmitir humildade, cheiro e jeito de povo.
Tem ainda o apoio daqueles que parecem querer Virsão lá, talvez por ser de mais fácil trato, alguns afirmam mais manipulável, o que não acredito.
Virsão tem colégio eleitoral forte em Aparecida, mora lá, já foi vereador com votos daquele local e seria um divisor de águas entre ele e Flavinho, que tambem é forte no distrito.
Tudo caminha para uma decisão nas convenções que acontecem no mês de junho e devem decidir por um ou por outro.
Baroni não volta. Ou se voltar, deve licenciar-se novamente. Parece disposto a não fazer com que o PSB cresça, principalmente porque é o partido de Flavinho. Dessa forma, o PSDB de Major e Virsão ganhará ainda mais terreno até as eleições.
E uma prova de que Major está disposto a ser o candidato, é a forma com que vem se conduzindo perante à população.
Apesar de ser PSDB, Major usa de sua popularidade para atrair ainda mais confiança, seja no rádio ou pelas ruas, enquanto que Virsão debate-se na dúvida cruel de ser aceito ou não pelo próprio grupo.
Muita água vai rolar debaixo dessa ponte que nos liga às urnas em outubro.
Mas de uma coisa vocês podem ter certeza: arriscar um palpite agora, em um ou no outro, é perda de tempo. De um lado tem um prefeito em exercício e do outro o nome ainda mais forte do PSDB para a disputa.
Quem viver... verá!
DO OUTRO LADO!
Marcos Monti está sossegado. Parece não ter rivais dentro do grupo e como pré-candidato a prefeito procura conversar com todos os partidos para atrair apoio e decidir seu pré-candidato a vice.
O grupo de Milton Monti, que durante anos foi situação, encarna agora a real oposição à administração municipal, deixando bem claro que nada tem de ligação com as atuais mudanças na Prefeitura e tecendo críticas à situação da cidade, principalmente no que tange o desemprego e a saúde doente.
A intenção do grupo é a de levantar a bandeira da experiência política de Marcos, adquirida através de anos dentro dela e a da força do Deputado Federal. Dessa forma, tenta-se transmitir ao povo a seguinte mensagem: "Tenho experiência e contatos importantes. Além disso, se tem alguem que pode fazer algo para salvar São Manuel, esse alguem é Milton Monti!"
Tô sabendo que, na ferveção da corrida eleitoral, caso se confirme Marcos como candidato, o Deputado estará disposto a enfrentar o calor da campanha até o fim.
Como já falei acima, quando afirmei que Major Rubin tem boa comunicação, esse parece ser um dos trunfos de Marcos tambem.
Ele tem facilidade em se expressar e tem jogo de cintura para fazer com que sua imagem seja "comprada" pelos eleitores, mesmo já tendo sido prefeito há 20 anos atrás.
Ora! Baroni fez isso em 2008, quando a maioria não se lembrava de que já tinha sido prefeito, ou se lembrava, o tempo já agia a seu favor, a ponto de Aparecida se esquecer, ou não querer se lembrar, que em 1988, após ter sido eleito, Baroni foi ao rádio e disse que Aparecida não sabia votar.
Ele ganhou a eleição na cidade, mas perdeu para Di Santis no Distrito.
Outra vantagem de Marcos é a juventude. Com 45 anos, a maioria passados na política, pode fazer a diferença em idéias e projetos mais ousados diante de situações que clamem por mudanças.
No caso de Marcos, um vice de um partido médio, pode fazer muita diferença, já que o grupo do deputado tem votos fiéis nas eleições municipais.
Uma divisão, com três ou mais candidatos, segundo a matemática, joga a favor de Marcos Monti.
A DÚVIDA!
Flavinho Silva será realmente candidato? O Ficha Limpa vai deixar?
Essa é a questão nesse jogo político que nos envolve cada vez mais à medida em que os meses desse 2012 vão passando...
Que Flavinho ainda tem votos é inegável.
Construiu uma imagem de prefeito popular, sempre com apoio da imprensa que na época dominava a audiência da cidade.
Quando falo em comunicação, nunca podemos esquecer de que Flavinho é rápido nas respostas, tem "tiradas" que desmontam seus oponentes e não se intimida com facilidade.
O que joga contra Flavinho, além dessa dúvida sobre se poderá concorrer, é a pedreira que levará no lombo durante uma provável campanha.
As contas rejeitadas, as contratações irregulares, o processo criminal das notas frias... formam um bom material para seus oponentes despejarem críticas à sua volta à Casa Branca.
Além disso, o ex-prefeito perdeu muito apoio, não só de partidos, mas da imprensa local tambem.
Seu nome estará em queda até a campanha, já que perdeu muito espaço.
Se for candidato e vencer, será uma zebra e tanto!
Veja como é a política: de imbatível, Flavinho passou a ser dúvida e quem sabe uma surpresa nas urnas.
E O BETO?
Por falar em ZEBRA, surge o nome de Beto Machado.
Sem estrutura, sem um partido de renome nacional, sem grana, desconhecido do grande público que se lembra saudosista do prefeito Machado, seu pai.
Beto se comunica com facilidade, amparado em movimentos estudantis e trabalhistas que já defendeu.
Tem experiência administrativa e parece não estar disposto a fechar acordos com grupos políticos da cidade, tentando dessa maneira vender a imagem de total oposição a tudo que aí está.
O que pesa contra Beto é esse sumiço que ele deu nos últimos 20 anos.
Não sei se terá tempo para transmitir suas propostas, já que, pelo partido no qual possivelmente concorrerá, terá tempo curtíssimo no rádio, tanto em programa eleitoral, quanto nas inserções que invadirão as emissoras durante a programação normal.
Quanto mais representatividade tem o partido no Congresso, maior são os espaços na mídia, uma maneira injusta de concorrência...
Então faça as contas.
Temos o PSDB que tem muitos representantes no Congresso, logo um grande espaço na mídia.
Temos o PR igualmente forte.
Dois partidos podem fazer a diferença. PT e PSD.
O PT, caso repita sua posição na última eleição, quando declarou apoio local à reeleição de Milton Monti, pode somar com Marcos. O PSD, partido de Kassab e aqui com o Zapparoli, tem grande representatividade no Congresso e pode pesar.
Não podemos esquecer tambem o PV, que tem em Biondon e Adriano Dálio, além de Paulo Peres-vereador, seus nomes fortes.
Em se falando de mídia, a soma é o mais importante.
O que resta para Beto talvez é surgir como um novo Enéas que, apesar de cair no gosto popular, nunca venceu uma eleição para os altos cargos que disputou.
ENFIM... Major Rubin, Virsão, Marcos Monti, Beto Machado e Flavinho.
Um desses será o Prefeito Municipal de São Manuel à partir de 2013.
E mais do que nunca, nossa cidade precisará realmente de um grande prefeito, direcionado às necessidades urgentes da população e que pense menos em si e seus puxas.
Você arriscaria algum palpite?