Ricardo Salaro conversa com Ricardo Salles, Secretário de Meio Ambiente durante encontro em São Manuel

O prefeito de São Manuel, Ricardo Salaro (PPS), lidera na região a criação de um consórcio composto de 12 municípios no entorno para instalar uma estação de tratamento de lixo coletado pelas cidades para passar por um processo que possibilita dar uma destinação melhor ambientalmente e até com possibilidade de gerar energia elétrica que poderá abater nas despesas da operação.

Atualmente, o aterro sanitário de São Manuel é adequado, mas está instalado próximo a pista de aeroporto. O município, a médio prazo, precisa adquirir nova área e vai ter que desativá-lo. Salaro defende a instalação de um Consórcio Municipal para conseguir recursos do governo paulista.

A Secretaria de Meio Ambiente, que decidiu agir com rigor na interdição e fechamento de todos os aterros inadequados, também resolveu colaborar em ajudar a buscar um novo modelo de aterro que possa solucionar o problemas dos municípios.

O prefeito explica que o atual aterro ainda tem uma vida útil de curto prazo com a instalação de uma quinta célula até que se viabilize a solução de tratamento regional. "Não é fácil operar um aterro. As prefeituras têm muitas dificuldades, porque é uma operação diferenciada. É necessário buscar parceiros e estamos fazendo licitação para que uma empresa possa assumir a operação do aterro. Com isso, o que pretendemos é que o aterro atual dê sustentação a coleta de lixo até que a usina esteja funcionando. O projeto da usina é de alta tecnologia, porque além de resolver o problema do lixo urbano se transforma numa fonte de receita para os municípios, já vai gerar energia elétrica", explica.

O secretário Ricardo Salles firmou o compromisso da Secretaria em agilizar o processo com a Cetesb e com a Agência Desenvolve São Paulo.

De acordo com o projeto, doze municípios localizados a um raio de até 50 km de São Manuel serão beneficiados (São Manuel, Lençóis Paulista, Macatuba, Barra Bonita, Mineiros do Tietê, Dois Córregos, Igaraçu do Tietê, Areiópolis, Pratânia, Pardinho, Borebi e Itatinga).

De forma resumida, o fluxo do tratamento dos resíduos seria: 1-) coleta do lixo municipal; 2-) separação do lixo seco para a reciclagem; 3-) processo de desidratação do lixo úmido. O processo de desidratação cumprirá a tarefa de estabilizar a biomassa orgânica promovendo um maior poder calorífico e eficiência energética; 4-) Central de geração de energia elétrica: volatilização termolítica de resíduos ou biomassa a alta temperatura em uma câmara selada sem ar e/ou oxigênio, que gerará energia elétrica para a própria usina e também poderá ser utilizada na rede elétrica urbana; 5-) O resíduo final do lixo e o lixo inerte podem ser aterrados.

Redução de gases tóxicos

Durante a reunião em São Manuel, Andre Tchernobilsky, da empresa Zeg Environmental, que está auxiliando no projeto do Consórcio, explicou que a tecnologia a ser utilizada é de pirólise, técnica eficiente e que não permite que sejam produzidos resíduos ou gases tóxicos. Caso o projeto venha a ser financiado pela Secretaria de Meio Ambiente do Estado de São Paulo, após a efetivação das licenças, o prazo para a construção da usina completa é de 17 meses. Além de reduzir os danos ao meio ambiente, esse projeto de iniciativa da cidade de São Manuel geraria inclusão social e renda para os municípios, por meio da venda de material reciclado e de energia gerada.

“O objetivo é aproveitar ao máximo os resíduos, recuperando os materiais recicláveis de alto valor e o que sobrar, vamos converter em energia. O que vai sobrar para ser enterrado são 15% dos materiais inertes”, explica Tchernobilsky.

A capacidade da usina de tratamento de resíduos é de cerca de 200 toneladas de lixo por dia, provenientes de 12 municípios. A operação deve ficar sob responsabilidade de uma empresa a ser definida possivelmente por uma Parceria Público-Privada (PPP). Essa questão não está fechada, depende do modelo a ser adotado.

A Secretaria Estadual de Meio Ambiente marcou uma segunda reunião com a Prefeitura de São Manuel, o Consórcio e com os autores do projeto para definição do modelo a ser adotado. O objetivo inicial é solucionar a destinação dos resíduos sólidos, mas em uma segunda etapa é buscar a autogerarão ou geração de distribuição de energia em módulos de 1, 3 e 5 MW (o equivalente a abastecer 25 mil residências) por meio da recuperação energética de resíduos ou biomassa.

“Os resultados são: previsibilidade energética, redução nas contas de energia e disposição adequada de resíduos”, diz Tchernobilsky. A tecnologia a ser adotada é para aumentar a vida útil em até dez vezes do aterro sem gerar chorume que possa contaminar o lençol freático.

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